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GABRIEL SOUZA
Home / Entenda a Dermatite Atópica / Histórias Reais / Gabriel Souza
Imagem Gabriel Souza Imagem Gabriel Souza
Sua pele é parte de quem você é!
Sua pele é parte
de quem você é!
Quem vê Gabriel Souza hoje, aos 20 anos, não imagina como foi sua infância e adolescência. De sorriso fácil, sempre tem uma palavra de apoio para quem o procura. Enquanto as crianças aos cinco, seis anos sonhavam com grandes realizações, Gabriel sonhava com uma pele lisinha nas dobras dos braços. Alvo frequente de observações maldosas sobre a aparência de sua pele, precisou aprender a se fortalecer a partir das dificuldades. Aos dois anos de idade, sua pele começou a mostrar alterações, mais seca que o normal e frequentemente era acometido por alergias, que desencadeavam inchaços e coceiras principalmente nas dobras das pernas, dos braços, no pescoço e nos olhos. O diagnóstico de dermatite atópica só veio oito anos após o aparecimento dos primeiros sintomas.

Muitos médicos até o diagnóstico.

“Eu passei por mais de 30 médicos até ter o diagnóstico de dermatite atópica”, relata Gabriel. A mãe, enfermeira, não se contentou com diagnósticos imprecisos que ele recebia nas consultas e não sossegou até ter o diagnóstico correto. Foi um período em que passou por muito exames, muitos diagnósticos errados, sofrimento e internações por conta das alergias e das manifestações da dermatite atópica. A doença, no caso do Gabriel, está relacionada à alergia alimentar e à rinite alérgica, principalmente. Mas mudanças repentinas de clima e o lado emocional também o afetavam muito.

Gabriel se lembra da sua infância como uma época de privações de diversos tipos e restrições alimentares. Assim como é comum em muitos pacientes com dermatite atópica, com ele não foi diferente: em tempos de crise, evitava sair de casa por não se sentir confortável com os olhares alheios e com a necessidade de sempre ter de explicar o que tinha. E precisava evitar uma série de alimentos, principalmente industrializados por conta dos corantes e conservantes.

“Minha pele enchia de erupções grandes, vermelhas, descamava, ficava inchada, eu era muito zoado na escola, as pessoas tinham nojo, não queriam estar perto de mim, tiravam sarro, diziam que era sarna, não tocavam em mim e, quando tocavam, já iam lavar as mãos”.
Imagem Gabriel Souza Imagem Gabriel Souza

Sonho realizado.

Introspectivo e sonhador, o menino Gabriel aproveitava o tempo que passava em casa para aprender sobre tudo o que o interessava, e foi assim que criou o seu canal no YouTube, aos 16 anos. Gabriel tem verdadeira paixão pelo seu cabelo longo e cacheado. Em seu canal, fala sobre lifestyle. Foi uma forma de começar a se expor mais e de falar também da dermatite atópica em alguns vídeos.

“Sou muito grato por hoje passar a mão no braço e não ter nada”, alegra-se. Ele alerta sobre a importância de valorizar a pele. “Vejo às vezes algumas manchas, mas por tudo o que eu já passei, isso não é nada”, destaca.

Missão.

Mas não é por ter tido a remissão da dermatite atópica que o assunto está encerrado na sua vida. O sonho de Gabriel é ver o assunto pautado na mídia.“A dermatite não é uma doença rara, ela é bem prevalente. Muitas pessoas têm e não sabem que têm, não recebem o diagnóstico. Passam a vida inteira tendo manifestações, não tratam direito por não saberem e só pioram”, lamenta.

Gabriel tem a intenção de, por meio de seu canal e participando de campanhas de conscientização, levar conhecimento, ajudar as pessoas. “A primeira vez que abordei o tema no meu canal fiz sem pretensão nenhuma. Só com o intuito de ver se tinha mais alguém no mundo com dermatite atópica. E a aceitação foi muito boa. Me surpreendi demais, fico chocado, às vezes. Todo dia recebo comentários de pessoas com dermatite atópica, de mães, de pais, de amigos de pessoas que têm, relatos, histórias de vida, é algo muito gratificante, eu fico feliz de ter gerado tanto engajamento”.

Apoio e acolhimento.

Gabriel sente que as pessoas se encontram ali, nos seus depoimentos, sentem que encontraram outras que passam pelo mesmo. “O que as pessoas precisam é conversar, se sentirem ouvidas, acolhidas, buscar ajuda, encontrar apoio. Quem não passa pela mesma situação dificilmente dá a devida importância para o assunto e, quando você encontra quem dê, é reconfortante”, considera.

Sobre inspiração, Gabriel acredita que tem feito o seu papel, ajudando pessoas a levar de uma forma mais leve a doença e a se aceitarem mais, ou influenciando a buscar ajuda profissional. Frequentemente recebe mensagens de agradecimento. “O fato de poder ajudar uma pessoa traz um sentimento muito bom de gratidão. É muito mágico receber esse carinho, essa energia positiva”.

Imagem Gabriel Souza Imagem Gabriel Souza

Palavra de força.

O menino Gabriel cresceu e com a sua história veio uma maturidade muito peculiar, que, ao mesmo tempo, guarda a leveza da criança. “Meu maior sonho é ser feliz com o que eu tiver e com o quer vier, eu sempre espero pelo melhor. Espero estar feliz como ser humano. A felicidade é mais simples do que a gente imagina”.

Para quem acaba de receber o diagnóstico, Gabriel diria: “está tudo bem, daqui para a frente você vai ter que tomar alguns cuidados, você vai passar por momentos difíceis. Busque apoio, conhecimento para você poder se aceitar e ajudar outras pessoas na mesma situação. Apoie-se na família, em quem te ama. Eu acredito que tudo na vida tem um propósito. Não tenha vergonha da sua pele, ela é parte de quem você é!”

Depoimento cedido pelo paciente Gabriel Souza e transcrito pela jornalista Luciana Oncken.
Fotos cedidas pelo paciente Gabriel Souza.
Todas as imagens foram posadas por modelos.